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Texto: Antonio Carlos Lopes
5/7/2010
Fotos: Giacomo Favretto  
Uma Ducati 350 Mark-3D de 1969


Vamos falar de uma moto dos anos 60, do inicio dos motores Desmodrômicos, ou simplesmente ”Desmo”. Este modelo foi fabricado entre os anos de 1968 e 1974, nas versões de 250 cc, 350 cc, e por fim de 450 cc.

Especificamente este modelo é uma 350 Mark-3D do ano de 1969.

Esses modelos eram importados naquela época pelo legendário importador e piloto Luiz Latorre, foi sonho de consumo de muita gente, uma moto graciosa, bonita de verdade.

Uma motocicleta leve, com linhas esportivas, claramente inspiradas nos modelos de pista, com semi-guidões curtos, tipo racer, tanque que mistura uma parte cromada com pintura metálica. Esta tem o tanque cromado, com uma parte pintada, num tom de cereja metálico, que com suas duas tampas de combustível tornam o tanque uma verdadeira obra de arte.

A Ducati naquela época produzia uma gama de modelos utilizando-se dos motores monocilíndricos e introduzindo aquela que seria sua marca registrada, nos modelos de ponta, os motores “Desmo”, um sistema que controla a abertura e o fechamento das válvulas, impedindo sua flutuação em regimes de alto giro.

Vejam que este sistema deu tão certo que é utilizado até hoje, com patente exclusiva da Ducati, inclusive adotado no motor da moto que compete no campeonato de Super-Bike e Moto GP.

Este modelo de 1969 foi inteiramente restaurado, dentro do padrão de época, seguindo as especificações do fabricante, coisa relativamente tranqüila, pois, existe farta literatura disponível para os modelos da marca.

Apesar da beleza e suavidade aparente do modelo, não podemos esquecer que estamos falando de uma máquina Italiana, com suas características bastante marcantes e “personalidade” forte.

O primeiro contato já requer atenção: primeiro colocamos a chave de ignição na lateral esquerda da moto e logo temos as luzes “espias” ligadas, aí vem a parte mais delicada do processo de partida: “o acionamento do pedal de partida”. Muita calma nessa hora, nada de pressa ou afobação, essa é a forma de você se preservar fisicamente.

O motor, além da alta compressão, quando não estão 100% regulados, revela-se um tanto temperamental e não poucas vezes, foi o responsável por tornozelos e pés quebrados, o contragolpe é violento, esta é a razão da recomendação da calma, deve-se “buscar” com o pedal de partida a abertura certa, abaixá-lo até a metade e bater decididamente até o fim do curso, a partir daí a sensação é ótima, a batida do motor é inconfundível, apesar do pedal de câmbio estar invertido em relação aos modelos que temos hoje em dia, ou seja, o câmbio está do lado direito e o freio traseiro do lado esquerdo, um pouquinho de concentração no início é sempre bom até ir se acostumando, logo você percebe que seus neurônios assumem a mudança numa boa.

Andando a moto é extremamente leve, seu motor é forte em qualquer regime de giro, crescendo sem engasgar, passa da suavidade a sua forma de melhor aproveitamento, acima dos 4.000 RPM, o câmbio de 5 velocidades é bem escalonado, deixando o motor sempre cheio, boa nas curvas de baixa , média ou alta velocidades, seu chassis é bastante eficiente para uma moto de mais de 40 anos. Para aqueles que a utilizavam em corridas, com poucas ou nenhuma modificação, o comentário é que este modelo superava as máquinas japonesas com o dobro da sua cilindrada.

Para quem teve a oportunidade de “tocar” este modelo e puder comparar com modelos de época, dá para se ter uma idéia, ela é mais leve e ágil que os modelos ingleses ou japoneses de sua geração.

Acredito que este modelo, nas mãos de pilotos experientes, dava bastante trabalho nas pistas para os modelos mais potentes de sua geração, aí já estamos falando de outro tema, que vamos deixar para outra vez.


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